terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A MINHA INDIGNAÇÃO COM A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Como muitas de vós sabem eu sou funcionária pública. Trabalho para o Estado Português desde o inicio de 86 o que perfaz agora em 2010, 24 anos de trabalho ininterrupto.
Quando iniciei a minha vida na função pública foi na categoria mais baixa e depois fui concorrendo chegando depois de muita luta, à categoria de administrativa que actualmente se chama assistente técnico.
Nestes anos de muito trabalho e dedicação sempre procurei fazer o melhor, dedicando-me de corpo e alma e agora sou confrontada com mais um dissabor entre muitos outros provocados pela nova Legislação.
Estou a trabalhar num organismo que pertence ao Ministério do Ambiente e decidi que depois de me encontrar há tantos anos a trabalhar como administrativa tinha chegado à altura de fazer outros trabalhos que exigissem de mim, uma outra forma de estar e de trabalhar porque a burocracia é pesada e, estou cansada dela e gostava de fazer algo diferente, pelo que decidi concorrer ao concurso aberto pelo Governo Civil de Lisboa para a Loja do Cidadão com 12 vagas. Fui sujeita a testes escritos e psicotécnicos, todos eles de carácter eliminatório. Fiquei classificada na 6ª posição. Depois de concluído o processo de selecção fui chamada ao Governo Civil para a negociação ao abrigo da “famosa” Lei nº 12-A e onde se iria negociar o vencimento.
Qual foi o meu espanto que actualmente me encontro na posição remuneratória 6ª e foi-me proposto a 4ª posição remuneratória. Ninguém gosta de mudar de organismo e ver o seu vencimento diminuído de 103,00€. Não estava à espera que me fossem propor um grande aumento de salário face à conjectura actual mas que pelo menos me mantivessem o vencimento actual, nunca me baixando o salário, sem razão que o justificasse.
Quero compartilhar com todos esta desagradável situação com que fui confrontada.
Maria Cristina Lacerda

4 comentários:

Maria Bettencourt Lemos disse...

Querida Cristina,

Realmente é de lamentar...inacreditável e injusto!!!
Bom mas hoje estou aqui para lhe deixar um grande abraço com votos de excelentes entradas em 2010 e que o mesmo seja para si Fenomenal!

Maria Lemos

Jacinta disse...

Obrigada pelo teu testemunho.
É digno de ser divulgado.
Quando os sindicatos pedem aos administrativos para lutarem contra as propostas do governo, são muito poucos os que se dão ao trabalho de se deslocarem às manifestações ou de fazerem greve. Até lhes arece que as explicações que os sindicatos lhe vão levar ao local de trabalho sobre as intenções do governo são uma mentira. Não querem acreditar que as coisas ainda possam ficar pior do que já estão!!! Aqui está um testemunho real.
É bom que todos saibam e tomem consciência de que só com muita união - com todos os administrativos nas ruas e nas greves - como os professores - é possivel ver o governo a recuar.
É mesmo muito, muito mau que os administrativos não tenham consciencia de classe e dessa necessidade de união que faz a força. Como exemplo dessa falta de união está o facto de ao longo da última década muitos administrativos se tenham dessindicalizado, não comparecem às reuniões sindicais nos locais de trabalho, que têm como único objectivo pô-los a par das gravozas intenções do governo e assim mobilizá-los para se mexerem contra o que pensam ser uma inevitabilidade. NÃO É - PODEM CRER!
Eu própria completei em Maio 36 anos de serviço na Função pública e acabei de completar 56 anos de idade.
Em 1973, quando entrei na função pública, tinha contratado com o Estado, meu empregador, que em 2009, se quizesse, estaria reformada com o vencimento por inteiro, por ter 432 meses de descontos, coisa que nenhum trabalhador do regime geral tem que ter quando se reforma. Agora só me poderei aposentar com 64 anos de idade 44 anos de serviço e, mesmo assim, só com 80% da remuneração.
Também comecei a minha carreira por baixo, como Auxiliar de Arquivo. Em 1974, ano da Liberdade, que me orgulho de ter ajudado a construir, passei para administrativa. ao fim de 33 anos de serviço e de ter feito uma licenciatura e uma pós-graduação, cheguei ao topo dessa carreira - chefe de repartição.
Estava-nos garantido pela Lei que essa categoria dava lugar à entrada na carreira de téc. sup. com a categoria de tec. sup. de 1.ª classe, mas de nada serviu a lei que vinha de 1998, pois só dez anos depois consegui essa conquista.
Dez anos anos perdidos que dariam para já ter chegado ao topo carreira de técnico superior, no entanto mantenho-me exactamente no ponto de partida - téc sup. com remuneração equivalente a tec. sup. de 1.ª.
O pior desta «estória» é que o governo passou a maioria dos hospitais a empresas e que com essa manobra, uma vez que estou numa EPE, estou a ver os meus colegas recem chegados com contrato individual de trabalho a serem remunerados pelo equivalente a tec. sup. principal, deitando por terra toda a minha motivação, exploração da minha experiência que lhes estou passando e força de trabalho que me resta.
É também esta experiência de luta e desiluzões que vos quero passar, mas não que percam a esperança e credibilidade na força da união de quem pode e deve continuar a lutar, sindicalizando-se e participando em todas as acções para que seja convocado/a.
Tenham um bom ano, com muitas lutas, muita união, muita esperança e muita força e objectivos de vida.
A vida não pára, é por isso que nunca podemos parar de estudar, de nos valorizar pessoal e profissionalmente, aprendendo sempre, participando sempre civicamente, não abandonando nunca os deveres que nos cabem como cidadãos.
FAÇAM O FAVOR DE SER FELIZES!!!!

MIUÍKA disse...

Minha querida amiga,muito obrigada pela mensagem deixada no meu blog,gostei muito.
Deixo para ti o meu voto de um 2010 cheio de saúde e a realização de todos os teus sonhos,junto dos que mais amas.
Um grande beijinho da amiga...MIUÍKA

***** croseta fermecata *****si arta disse...

Un nuovo anno multo felice e rico di tante cose belle, dal cuore suzana
Auguri!